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Adeus, Alfredo!

em 17/06/20


Década atrás de década, Alfredo foi um dos nomes portugueses consistentemente usados e poderá ser encontrado com relativa facilidade nos elementos de meia idade das nossas famílias. No entanto, tal como se passou com vários nomes, a chegada dos anos 70 não foi muito positiva para Alfredo, que deverá ter começado a parecer demasiado pesado, quando comparado com nomes como Ricardo, Pedro ou Nuno. 
Nos últimos dez anos, Alfredo tem ficado abaixo dos 10 registos anuais e é um exemplo claro de um nome que está a cair em desuso. Se tivesse de apostar, diria que poderá despedir-se definitivamente das maternidades a curtíssimo prazo, mas sabendo que teve tanta tradição em Portugal, acham que que tem algum potencial para regressar? Pessoalmente, vejo mais hipóteses de sucesso em Alberto, e vocês? 

Marlene

em 21/08/19


É provável que Marlene seja o nome de várias grávidas que estão agora a consultar este blog e é bem possível que nenhuma delas pretenda passar o nome à filha que aí vem. Marlene, nome que se ouvia bastante na década de 80 e que atravessou os anos 90 no nosso top 100, caiu em desuso e não há previsão para o seu regresso. 
Tal como outros nomes de origem francesa que vingaram em Portugal, acredito que naquela época Marlene fosse uma lufada de ar fresco face, por exemplo, a Maria Madalena, que lhe dá origem, e a Irene, que tem uma sonoridade aproximada. Na teoria, Marlene até  teria tudo para poder continuar a ser usado: é um nome internacional e bastante delicado, mas creio que sofreu um duro golpe ao ser associado a uma cantora pimba, que é uma coisa que a nossa geração simplesmente não consegue tolerar. 

Caídos em des...uso!
- Rufino & Vicência -

em 28/09/16


A história da semana em Portugal tem como protagonista um senhor chamado Rufino. Tenho de admitir que os meus olhos brilham sempre que me deparo com um nome que já só estou habituada a encontrar nos Registos Paroquiais da Torre do Tombo! Neste caso, até brilharam duplamente, porque li que o senhor Rufino tem uma irmã chamada Vicência
Como seria de esperar, nem Rufino nem Vicência foram registados em bebés nascidos em Portugal, em 2015. Mas, nos séculos XVII e XVIII, parece que não faltavam meninas com o nome Maria Vicência, Ana Vicência, Mariana Vicência ou Vicência Francisca! Na pesquisa que efectuei no site Nós Portugueses, até encontrei uma Ana Vicência do Amor Divino, que é só a coisa  mais poética que ouvi nas últimas horas! Já sei que me vão mandar medir a temperatura, mas até acho que Vicência merecia melhor sorte! Definitivamente, nasci na época antroponímica errada! Quanto a Rufino, acho que também dificilmente volta a ver a luz do dia como nome próprio, mas nunca vai deixar de se ouvir, porque é relativamente comum como apelido. 
Rufino tem origem na palavra latina Rufus e significa "ruivo" [e à custa disso, já passei a manhã a ouvir o magnífico Rufus Wainwright, que tem uma filha chamada Viva Katherine]. Quanto a Vicência, é uma variante feminina de Vicente e, dessa forma, significa "vencedora". 

Caídos em des...uso!
- Deolinda -

em 01/09/16


Recordam-se da listinha de nomes mais populares em Portugal em 1920? E do post com o Ranking dos Rankings dos nomes portugueses? Se os consultarem, podem lá encontrar o nome Deolinda que apenas abandonou o top 10 de nomes femininos mais usados em Portugal na década de 60, quando deu lugar a nomes como Cristina e Anabela. Sabendo que os  nomes não desaparecem por magia apenas porque nos começam a parecer demodé [ainda hoje se vão registando nomes que poderíamos imaginar extintos!], é muito provável que ainda haja um número considerável de mulheres de 40 anos chamadas Deolinda. Eu conheço uma de 30, que andava na mesma turma de Cátia, Sónia e Tânia. E fui aluna de duas Deolindas, mas essas senhoras já deverão andar perto dos 70 anos. Nos últimos cinco anos foram registadas doze Deolindas mas acho que é nome para deixar mesmo de se usar, porque se afasta demasiado dos nomes femininos mais atuais. 
Voltando à lista de 1920, a verdade é que nem está nada desatualizada. Ana e Maria é o que se sabe, Teresa, Isabel e Margarida são clássicos, já lá fomos resgatar Alice; Emília também já se começa a ouvir e Rosa poderá seguir-lhe as pisadas. Sobram apenas Deolinda e Joaquina e acho que se percebe porquê... 

Deolinda origina-se a partir de Teodolinda, nome germânico que significa "serpente do povo", ainda que seja possível encontrar referências a "adorada pelo povo". Anda por aqui alguma Deolinda? Conhecem alguma? E há mais alguém a sentir muito a falta de Mad Men? 

Caídos em des...uso!
- Antonieta & Henriqueta -

em 20/07/16


António e Henrique são nomes com enorme tradição em Portugal. A sua popularidade tem sofrido alguma oscilação mas, hoje em dia, fazem parte do grupo de nomes mais escolhidos para meninos, tendo ficado às portas do top  30 em 2015. Possivelmente, conhecerão Antónios e Henriques de várias idades mas nem  toda a gente conhecerá uma Antonieta ou uma Henriqueta. Elas andam aí - eu conheço uma D. Antonieta, que deverá rondar os 80 anos, e conheci uma Henriqueta que terá mais ou menos a minha idade, mas são nomes que, apesar de nunca terem sido excepcionalmente populares, acabaram por cair em desuso, não tendo ultrapassado os dois registos ao longo de 2015. 
Apesar de olharmos com mais simpatia para nomes como Violeta e Julieta, a verdade é que estes nomes femininos terminados em -eta, que foram beber inspiração aos diminutivos franceses, não vão ao encontro do que a maioria procura num nome contemporâneo. Eu também acho que ficam adoráveis em senhoras idade, mas também ainda os acho pouco apelativos. Além disso, palpita-me que, de modo geral, são vistos como pertencentes ao conjunto de nomes que só deviam ser usados num género, categoria que eu, pessoalmente, abomino!

Esquecendo a sua usabilidade atual, pergunto: o que acham destes dois nomes? Qual dos dois vos agrada mais? E entre Antónia  e Antonieta, qual vos parece mais interessante?